Síndrome pós-Covid: como detectar e tratar os sintomas

Síndrome pós-Covid: como detectar e tratar os sintomas

É estimado que a cada 10 pacientes, 8 ainda apresentem sintomas de Covid duas semanas após a cura da doença. Apesar da síndrome pós-Covid-19 não acontecer em todos os casos, pode acontecer em qualquer caso, por isso, é preciso ficar de olho nos sintomas e tratar o quanto antes.

Especialistas estimam que pelo menos 70% dos recuperados terão algum sintoma até seis meses depois do diagnóstico e, em um número significativo de casos, os problemas podem durar mais que isso. Casos graves da doença, que exigiram internação e UTI, tendem a abalar mais o organismo no longo prazo, mas a verdade é que os episódios leves também podem deixar marcas prolongadas.

A chamada síndrome pós-Covid engloba uma ampla gama de problemas de saúde, recorrentes ou contínuos, que devem ser compreendidos pelo paciente e ter acompanhamento especializado ao longo de semanas ou meses.
Conheça as principais sequelas identificadas após a Covid-19:

Respiratório: a persistência da dispneia aos esforços que pode ou não vir acompanhada de hipoxemia crônica com redução das capacidades pulmonares e de difusão, bem como apresentação semelhante à doença pulmonar restritiva é comum. Os achados de imagem podem persistir por semanas após a alta e devem ser acompanhados de perto.

Hematológico: estudos relatam a ocorrência de eventos tromboembólicos em cerca de 5% dos pacientes após a alta, com até 3 meses de evolução. A avaliação individual desses casos é recomendada. Em pacientes portadores de d-dímero persistentemente elevado, doença oncológica de base ou histórico prévio de doença trombótica, a profilaxia estendida pode ser considerada por mais três meses.

Cardiológico: os sintomas mais relatados são dispneia, alterações súbitas de pressão, mudanças na frequência cardíaca e dor torácica. Estudos já comprovaram o aumento persistente da demanda metabólica desses pacientes e presença de cicatrizes no miocárdio, que predispõem a arritmias. Pacientes com esses sintomas devem ser avaliados rotineiramente por meio de ecocardiografia, eletrocardiografia e avaliações seriadas por um cardiologista.

Neurológico: pacientes experimentam uma série de sintomas após a alta. Os mais comuns são fadiga, mialgias, cefaleia, disfunção cognitiva e problemas de memória. Até 40% dos pacientes desenvolvem transtorno de ansiedade e/ou depressão. O acompanhamento neuropsiquiátrico é vital no seguimento dos pacientes após a alta. Uma série de medidas não farmacológicas durante a internação como a presença de um familiar de referência e a presença de relógios visíveis ao leito são de grande valia na prevenção desses transtornos.

Dermatológico: mais de 20% dos pacientes relatam a perda de cabelo de forma significante após a alta. Outras alterações cutâneas como a presença de reações urticariformes também são relatadas. A condução desses pacientes envolve o acompanhamento por um dermatologista e uma avaliação de deficiências nutricionais, como vitaminas e oligoelementos, que podem potencializar os efeitos deletérios.

A abordagem multidisciplinar é fundamental na reabilitação e deve incluir diversos profissionais que, somados, entregarão a melhor estratégia de reabilitação para o precoce retorno do paciente às suas atividades habituais.

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